TERAPIAS ASSISTIDAS POR PSICODÉLICOS EM PSIQUIATRIA: EVIDÊNCIAS CLÍNICAS, MECANISMOS NEUROBIOLÓGICOS E DESAFIOS REGULATÓRIOS
Lara Vervloet Carvalho, Sarah Isabela Magalhães Costa, Nathália Marques Santos, João Victor Oinhos de Oliveira, Amanda Moreira Parente
Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research) October 20, 2026 preprint DOI: 10.5281/zenodo.23505971 (opens in new tab)
Study at a glance
AI-extracted from the abstract| Characteristics | Review |
|---|---|
| Dose | 25 mg |
| Measures | MADRS |
| Key findings | The review reports that a single 25 mg psilocybin dose reduced MADRS scores by a mean 12.0 points in treatment-resistant depression versus 1 mg control, and that 71.2% of MDMA-assisted therapy participants lost PTSD diagnostic criteria versus 47.6% with placebo plus psychotherapy. It notes generally favorable but preliminary safety evidence for psilocybin-assisted psychotherapy, and that the FDA declined MDMA therapy approval in August 2024, citing functional unblinding and selection bias concerns. |
Abstract
As terapias assistidas por psicodélicos emergiram, na última década, como estratégia de investigação de destaque para transtornos psiquiátricos refratários às abordagens convencionais. Em ensaio de fase 2 controlado, dose única de 25 mg de psilocibina produziu redução média de 12,0 pontos na escala MADRS em pacientes com depressão resistente ao tratamento, superior à condição controle de 1 mg. A terapia assistida por MDMA, avaliada no estudo confirmatório de fase 3 MAPP2, resultou na perda dos critérios diagnósticos de transtorno de estresse pós-traumático em 71,2% dos participantes tratados, contra 47,6% no grupo placebo com psicoterapia. Revisão sistemática recente classificou o perfil de segurança da psicoterapia assistida por psilocibina como geralmente favorável, embora baseado em evidências preliminares e heterogêneas. Mecanismos neurobiológicos propostos incluem agonismo do receptor 5-HT2A e indução de plasticidade estrutural sináptica, ainda que a relação causal entre esses achados pré-clínicos e o benefício clínico observado permaneça não totalmente estabelecida. O campo sofreu revés regulatório significativo em agosto de 2024, quando a Food and Drug Administration (FDA) recusou a aprovação da terapia assistida por MDMA, citando limitações metodológicas relacionadas a desvendamento funcional e viés de seleção amostral. Resultados preliminares de fase 3 para a psilocibina na depressão resistente, divulgados em 2025, demonstraram efeito estatisticamente significativo, porém de magnitude absoluta mais modesta do que a observada na fase 2. No Brasil, revisão integrativa recente discute o potencial terapêutico de substâncias alucinógenas no manejo da depressão e os desafios regulatórios específicos do contexto nacional. Este artigo revisa criticamente a farmacologia, as evidências de eficácia e segurança, as controvérsias metodológicas e o panorama regulatório internacional dessa classe terapêutica emergente.