Crise e renovação da Psicologia: convergências entre Husserl e Farias Brito
Gabriel de Oliveira Rezende, Tommy Akira Goto
Saber Humano July 17, 2026 DOI: 10.18815/sh.v16i27.787 (opens in new tab)
Study at a glance
AI-extracted from the abstract| Characteristics | Theoretical bibliographic review Peer reviewed |
|---|---|
| Keywords | Positivism Phenomenology philosophy Meaning existential Context archaeology Epistemology |
| Key findings | Argues that Husserl's phenomenology and Farias Brito's philosophy share structural similarities in their diagnosis of a crisis in psychology and science, their critiques of materialism and positivism, and their proposals for a new psychology grounded in essences and spirit. |
Abstract
A Psicologia pode ser compreendida como uma ciência dotada de um campo de conhecimento plural, que investiga os fenômenos psicológicos. No entanto, enquanto ciência, pode-se afirmar que ela atravessa uma crise — não quanto à sua cientificidade moderna, mas quanto ao próprio sentido de ser ciência. A explicitação dessa crise, e os caminhos para sua superação, foram delineados pelo filósofo alemão Edmund Husserl e pelo filósofo brasileiro Raimundo de Farias Brito. O objetivo deste estudo é apresentar e relacionar ambos os autores quanto: (i) ao diagnóstico da crise; (ii) às consequências dessa crise para a Psicologia; (iii) às propostas de superação (o método fenomenológico e o método introspectivo); e (iv) à presença, em ambos, de um projeto de fundação de uma nova psicologia (Fenomenológica e Transcendente). Busca-se evidenciar como a filosofia britana guarda semelhanças estruturais com a filosofia husserliana, bem como investigar possíveis razões dessas convergências. O método empregado consistiu em uma revisão bibliográfica teórica do material pertinente ao tema. Foi possível estabelecer aproximações entre a fenomenologia de Husserl e a filosofia de Farias Brito, mostrando como ambos identificam a crise das ciências, e da Psicologia em particular, e propõem um novo método e uma nova psicologia, não mais orientada pelo materialismo. Conclui-se, por fim, que duas razões possíveis para as semelhanças entre os autores são: a crítica conjunta ao Positivismo e a busca comum pelo reavivamento do sentido e do significado, isto é, das essências (eidos) e do espírito.