Tempo subjetivo de participantes com estados alterados da consciência em função de uso da bebida Ayahuasca em rituais xamânicos envolvendo música
Ana Paula Silva Campagnoli
April 24, 2018 DOI: 10.11606/d.59.2018.tde-06032018-153439 (opens in new tab)
Study at a glance
AI-extracted from the abstract| Characteristics | Within-subjects experimental design |
|---|---|
| Population | Experienced ayahuasca users who had taken the beverage more than 60 times in the last three years |
| Intervention | Ayahuasca |
| Duration | During the ritual |
| Topics | Ayahuasca |
| Citations | 1 |
| Key findings | All participants underestimated the duration of musical stimuli, but unfamiliar music led to greater underestimation than familiar music during ayahuasca rituals. |
Abstract
\n A temporalidade compõe os atos da pessoa no mundo. A subjetividade assume papel importante, a partir dela é que o tempo adquire sentido e significado. Desta forma, a percepção subjetiva do tempo torna-se essencial para a percepção da realidade, delineando uma distinção entre o decurso temporal dos eventos vividos ao longo da vida, o que implica que o processamento da informação temporal é indispensável ao cotidiano. A Nova Estética Experimental, que estuda estímulos musicais ou outros fenômenos estéticos por meio de experimentos, nos quais atributos musicais são manipulados, é um campo de pesquisa que se dedica a investigações sobre o tempo subjetivo e visa verificar quais são seus efeitos sobre algum aspecto do comportamento do ser. No contexto ritualístico, as músicas xamânicas e de meditação são utilizadas por participantes que realizam rituais em função da bebida ayahuasca. Os rituais xamânicos afetam estados de consciência, dependendo do uso da substância e das músicas. Alterações nos estados de consciência devem alterar o tempo subjetivo, em função destes elementos específicos do ritual que produzem estas alterações de estados de consciência. Os participantes dos rituais xamânicos relatam que suas experiências possuem caracteres diferentes ao serem expostos por músicas conhecidas ou desconhecidas durante os ritos. Questiona-se qual seria a influência da atividade musical em exposição ao gênero conhecido ou desconhecido e como essa relação se daria em condições nas quais os participantes apresentassem alterações nos estados da consciência em função da bebida ayahuasca em rituais xamânicos. Assim, a proposta deste trabalho foi examinar os efeitos do tempo subjetivo de participantes com estados alterados da consciência em função de uso da bebida ayahuasca em rituais xamânicos envolvendo música. Foram selecionados apenas participantes experientes, que tomaram ayahuasca mais de 60 vezes nos últimos três anos. Cada participante foi avaliado nas condições do ritual, com o registro de estimações subjetivas de tempo, que foram reproduzidos por estímulos musicais com durações de 20 segundos, contendo músicas conhecidas e músicas desconhecidas pelos participantes dos rituais. Foi preenchida uma Lista de Estados de Ânimo Presentes antes da ingestão da ayahuasca, no decurso temporal da ação da bebida e ao final do ritual. Após a coleta de dados, os participantes foram entrevistados com perguntas envolvendo os rituais xamânicos com ayahuasca. O registro de alteração de tempo subjetivo e a Lista de Estados de Ânimo Presentes permitiram a identificação de como os elementos do ritual afetam as alterações de estados de consciência, com ayahuasca em comparação ao uso de um veículo-controle desenvolvido para a presente pesquisa, no contexto do ritual. As estimações temporais realizadas pelos participantes apontaram que as exposições às musicas conhecidas ou desconhecidas durante os rituais xamânicos, em função da bebida ayahuasca, alteram a percepção subjetiva de tempo. Todos os participantes subestimaram o tempo de reprodução dos estímulos musicais, no entanto, os participantes ao serem expostos às músicas desconhecidas eliciaram uma maior subestimação quando comparados às exposições às músicas conhecidas\n
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Citations in the library
Cites 10
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- Effects of psilocybin on time perception and temporal control of behaviour in humans Journal of Psychopharmacology May 20, 2006
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