A mudez da escuta e o encanto das palavras
Maurício Augusto Perussi de Souza
Conceição|Conception December 8, 2022 DOI: 10.20396/conce.v11i00.8671106 (opens in new tab)
Study at a glance
AI-extracted from the abstract| Characteristics | Theoretical or philosophical paper Peer reviewed |
|---|---|
| Citations | 2 |
| Key points | Argues that Susanne Kennedy's Virgin Suicides stages an enchanting system of acousmatic voices that generates intensive space-times, drawing spectators' attention and leading them to recognize themselves as the active principle activating the words' enchanting power, in pursuit of a shamanistic "Cosmic Theatre." |
Abstract
O artigo examina o espetáculo Virgin Suicides (2017), concebido pela encenadora alemã Susanne Kennedy para o Münchner Kammerspiele. Partindo do livro homônimo de Jeffrey Eugenides, do Livro tibetano dos mortos e do áudio Psychedelic Experience (1964), de Timothy Leary, a encenadora explora ao limite três de seus estilemas mais recorrentes: o playback, as vozes acusmáticas e as máscaras. É também nesse trabalho que Kennedy evidencia o anseio de aproximar a prática do encenador de algo semelhante a um xamanismo e, assim, de pôr em prática o seu “Teatro Cósmico”. A proposta do artigo é mergulhar na experiência fenomenológica de assistir a Virgin Suicides para, a partir da eleição de fragmentos significativos, examinar o xamanismo perseguido por Kennedy, dando especial atenção às funções desempenhadas pelas vozes gravadas que ressoam em toda a encenação. A investigação tem por base a hipótese de que Kennedy elabora um sistema encantatório de vozes acusmáticas, gerador de espaços-tempo intensivos, que seduzem/conduzem a atenção do espectador, fazendo-o, desse modo, reconhecer-se como portador do princípio ativo que ativa o poder encantatório das palavras que ouve.