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Uso de psicodélicos no tratamento da depressão resistente: eficácia clínica e perspectivas terapêuticas

Monique Vieira de Moura, Heder Albuquerque Azevedo Rocha, Márcio José de Carvalho Lima, Aline Christina Mendanha Medeiros, Isabela Caldeira Rosolen

Revista JRG de Estudos Acadêmicos September 16, 2026 DOI: 10.55892/jrg.v9i21.3741 (opens in new tab)

Study at a glance

AI-extracted from the abstract
Characteristics Systematic review Peer reviewed
Population Adults with treatment-resistant depression
Interventions Ayahuasca N
Key findings Psilocybin had the most robust evidence for reducing depression severity in treatment-resistant depression, though results were not uniformly positive: controlled trials showed clinically relevant reductions while the EPISODE trial missed significance on its primary outcome. Ayahuasca and DMT showed rapid antidepressant signals in smaller studies. The authors argue that clinical adoption requires careful selection, structured supervision, and further independent confirmation.

Abstract

A depressão resistente ao tratamento (DRT) representa uma condição de elevada carga clínica e funcional, usualmente definida pela resposta inadequada a pelo menos dois tratamentos antidepressivos adequados. O interesse por psicodélicos clássicos ressurgiu diante da possibilidade de efeitos antidepressivos rápidos após uma ou poucas administrações em contexto supervisionado. O objetivo desta revisão foi sintetizar criticamente as evidências clínicas sobre eficácia, durabilidade, segurança e perspectivas terapêuticas dos psicodélicos na DRT. Realizou-se revisão integrativa da literatura, com busca estruturada nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e APA PsycINFO, abrangendo estudos publicados de 2016 a 10 de setembro de 2026. Foram elegíveis estudos clínicos primários em adultos com DRT que avaliaram psilocibina, ayahuasca, N,N-dimetiltriptamina (DMT) ou outros psicodélicos clássicos, com desfechos de eficácia ou segurança. Nove estudos clínicos primários compuseram a síntese principal; publicações de seguimento de coortes já incluídas foram analisadas apenas para durabilidade, sem dupla contagem. A psilocibina concentrou a evidência mais robusta, embora os ensaios não tenham sido uniformemente positivos: estudos controlados demonstraram reduções clinicamente relevantes da gravidade depressiva, enquanto o ensaio EPISODE não atingiu significância no desfecho primário. Ayahuasca e DMT apresentaram sinais antidepressivos rápidos em estudos menores. Os eventos adversos foram predominantemente transitórios em ambientes supervisionados, mas persistem incertezas sobre cegamento funcional, expectativa, segurança em populações de maior risco e estratégias de manutenção. Conclui-se que os psicodélicos, especialmente a psilocibina, apresentam potencial terapêutico relevante na DRT, porém a incorporação clínica exige seleção criteriosa, supervisão estruturada e confirmação adicional de eficácia e segurança em estudos independentes e pragmaticamente representativos.