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Encruzilhadas da imprensa:

Beatriz Caiuby Labate

Revista de Antropologia da UFSCar December 1, 2009 DOI: 10.52426/rau.v1i2.15 (opens in new tab)

Study at a glance

AI-extracted from the abstract
Characteristics Análise crítica de reportagem Peer reviewed
Topics Ayahuasca
Citations 3
Key points A reportagem da Revista Isto É distorce o teor da resolução do CONAD, que não liberou o uso da ayahuasca, mas publicou normas éticas para seu consumo.

Abstract

Recentemente, a Revista Isto É publicou uma reportagem de capa sobre o uso da ayahuasca1 no país, intitulada “As Encruzilhadas do Daime.” 2 O texto noticia que o uso da ayahuasca teria sido “liberado pelo governo federal,” denotando complacência com um “quadro de desorganização e alto risco,” um alarmante “tráfico de ayahuasca” e uma “série de mortes” associadas ao consumo do perigoso “chá alucinógeno.” A notícia principal à qual se refere a reportagem é a recente publicação no Diário Oficial da União da Resolução no 1 do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD), de 25 de janeiro de 2010.3 Esta resolução consistiu na publicação do Relatório Final do 4Grupo Multidisciplinar de Trabalho sobre a Ayahuasca (GMT), concluído em 2006. O GMT reuniu representantes do governo, cientistas de várias áreas e líderes das religiões ayahuasqueiras, e produziu um documento estabelecendo uma deontologia do uso da ayahuasca, isto é, uma série de regras e princípios éticos orientando o consumo da ayahuasca. Realizarei aqui uma análise desta reportagem, e apontarei como ela não investiga o que anuncia investigar. Este texto, é importante notar, não pretende fazer uma reflexão 5mais sistemática sobre como a mídia lida com o tema das drogas. No final, apresento um breve comentário sobre os dilemas do antropólogo diante da imprensa, esperando, assim, estimular reflexões análogas em meus colegas.

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