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Hepatite autoimune induzida por chá de Ayahuasca: relato de caso

Stella Bianchini Borges, Nayara Peres Aguiar, Ana Flávia Carrijo Chiovato

Brazilian Journal of Health Review November 28, 2025 DOI: 10.34119/bjhrv8n6-240 (opens in new tab)

Study at a glance

AI-extracted from the abstract
Characteristics Case report Peer reviewed
Sample size 1
Population 25-year-old previously healthy female patient
Duration Seven-month follow-up after treatment suspension
Topics Ayahuasca
Key findings The authors argue that the absence of autoimmune hepatitis-like relapse for at least six months after stopping immunosuppression supports a diagnosis of herb-induced liver injury (HILI) in a 25-year-old woman who presented with acute hepatitis and cholestasis. They propose this case illustrates the diagnostic challenge of distinguishing HILI from autoimmune hepatitis and highlights risks of indiscriminate use of natural substances.

Abstract

Introdução: As lesões hepáticas induzidas por drogas (DILI) e por ervas (HILI) representam desafios diagnósticos e terapêuticos significativos, especialmente quando mimetizam quadros de hepatite autoimune (HAI). A discussão busca contribuir para o reconhecimento clínico dessas entidades e para o manejo seguro em contextos de uso crescente de fitoterápicos e substâncias enteógenas. Relato do caso: Paciente N. O. F. N., 25 anos, sexo feminino, previamente hígida. Apresentava queixa quadro de epigastralgia de forte intensidade, associada a náuseas e vômitos, icterícia, hiporexia, constipação intestinal e sonolência há 3 dias. Devido piora progressiva dos sintomas, procurou atendimento médico. Realizado biópsia hepática com resultado: hepatite aguda portal e periportal com colestase canalicular. O aspecto histológico sugestivo de mecanismo de dano hepático imunomediado, possivelmente por um mecanismo de hipersensibilidade associado a drogas ou a substâncias exógenas. Discussão: Considerando a paciente do caso, apesar da lenta queda de transaminases levando à opção de introdução de corticoterapia e imunomodulação, após a suspensão do tratamento não houve recidiva no período de sete meses. Desse modo, foi possível afirmar a hipótese lesão hepática induzida por ervas. Considerações finais: No presente caso, o critério utilizado para sustentar o diagnóstico de lesão hepática induzida por ervas (HILI) foi a ausência de recidiva da hepatite autoimune-like após pelo menos seis meses da suspensão da imunossupressão. Diante disso, o relato tem como propósito registrar essa ocorrência clínica incomum, contribuindo para a conscientização da comunidade médica e científica quanto aos riscos potenciais do uso indiscriminado de substâncias naturais.