Ayahuasca como precipitante de virada diagnóstica em paciente com Transtorno Bipolar: relato de caso de evolução para Transtorno Esquizoafetivo
Ricardo Cavalari Dória, Romulo Ronsani Ferreira, Maria Eugenia Garavello, Bruno Andraus Ferreira
DELOS Desarrollo Local Sostenible August 31, 2026 DOI: 10.55905/rdelosv19.n84-075 (opens in new tab)
Study at a glance
AI-extracted from the abstract| Characteristics | Case report Peer reviewed |
|---|---|
| Sample size | 1 |
| Population | A 28-year-old female patient with bipolar affective disorder (ICD-10 F31.2) |
| Interventions | Ayahuasca Cannabis |
| Topics | Ayahuasca |
| Key findings | Argues that ayahuasca use, combined with chronic cannabis use, may have precipitated a diagnostic shift from bipolar disorder to schizoaffective disorder (ICD-10 F25) in a 28-year-old patient, with persistent psychotic symptoms and functional impairment following remission. |
Abstract
O uso de ayahuasca vem se expandindo no Brasil para além do contexto religioso tradicional, alcançando também padrões recreativos, com riscos psiquiátricos ainda pouco documentados na literatura nacional. Este relato descreve o caso de uma paciente de 28 anos, com Transtorno Afetivo Bipolar (CID-10 F31.2) diagnosticado havia nove anos e três internações prévias por mania psicótica, internada após uso abusivo e crescente de ayahuasca associado a uso crônico de cannabis. O quadro cursou inicialmente com sintomatologia maniforme e psicótica, evoluiu para um período de sintomas psicóticos persistentes na ausência de sintomas de humor, e remitiu com emergência de sintomas negativos e prejuízo funcional significativo. Discutem-se os diagnósticos diferenciais entre psicose induzida por substância, transtorno do humor com sintomas psicóticos e transtorno esquizoafetivo, propondo a ayahuasca como fator precipitante de uma reformulação diagnóstica de Transtorno Bipolar para Transtorno Esquizoafetivo (CID-10 F25). Trata-se de relato de caso retrospectivo, baseado em prontuário médico e acompanhamento ambulatorial. O caso reforça a relevância de investigar o uso de substâncias psicodélicas em recaídas de transtornos do humor e alerta para o impacto funcional dos sintomas negativos emergentes.