Drogas, medicamentos e a tolerância ao sofrimento cotidiano
Karoliny Felipe Martins
Novos Debates February 11, 2026 DOI: 10.48006/2358-0097/v11n2.e112013 (opens in new tab)
Study at a glance
AI-extracted from the abstract| Characteristics | Qualitative study Peer reviewed |
|---|---|
| Population | Women who experience problematic drug use and participate in the Santo Daime therapeutic context |
| Key findings | The author argues that de-medicalization can serve as an indicator of health, based on narratives of women in the Santo Daime context who consider the ritual use of daime (ayahuasca) successful when it results in suspending daily use of psychotropic medications. Participants interpret the associated changes in emotional dynamics and management of suffering as signs of health and reorganization of daily life. |
Abstract
Em um contexto marcado pelo aumento do uso de drogas psiquiátricas como estratégia de enfrentamento das demandas cotidianas, observa-se maior prevalência entre mulheres, em razão dos papéis de gênero que lhes atribuem múltiplas funções em uma sociedade orientada pelo desempenho contínuo (Alvarenga; Dias, 2021). Esse cenário contribui para a medicalização progressiva de comportamentos cotidianos e para a estreita definição de saúde mental. A partir desse panorama, o presente artigo propõe discutir a desmedicalização como indicador de saúde, com base em pesquisa de campo voltada à compreensão de uma proposta terapêutica no contexto do Santo Daime. Nessa abordagem, a bebida psicoativa daime (ou ayahuasca) é utilizada ritualmente para tratar questões relacionadas à saúde mental, incluindo depressão, ansiedade e, sobretudo, dependência química. Analiso, em particular, as narrativas de mulheres que experienciam o uso problemático de drogas, evidenciando como a experiência com o daime é considerada exitosa quando resulta na suspensão do uso cotidiano de medicamentos psicotrópicos. Tal processo envolve alterações nas dinâmicas emocionais, especialmente no manejo do sofrimento, sendo interpretado pelos sujeitos como um indicativo de saúde e reorganização da vida cotidiana.