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Qualia e Umwelt

Arthur Araújo

Revista de Filosofia July 24, 2020 DOI: 10.7213/rfa.v22i30.2215 (opens in new tab)

Study at a glance

AI-extracted from the abstract
Characteristics Theoretical or philosophical paper Peer reviewed
Key points Argues that Uexküll's concept of 'Umwelt' provides an objective description of the subjective and inscrutable feature of experience that Nagel identifies.

Abstract

No seu famoso artigo “What is it like to be a bat?” (1974), Thomas Nagel sustenta que existe um ‘ponto de vista’ característico e inescrutável, não acessível objetivamente na experiência, que determina o sentido da própria experiência como evento mental. Entre recentes teorias filosóficas da mente, eventualmente, a esse elemento subjetivo correspondem os chamados qualia, i.e., propriedades intrínsecas, qualitativas ou fenomenais da experiência. Na concepção de Nagel, o ‘ponto de vista’ estabelece os contornos de distinção entre os aspectos objetivos e subjetivos referentes à experiência. Em certo sentido, essa distinção parece próxima ao que o biólogo Jakob von Uexküll ([1934] 1982) entende ser a distinção entre Umwelt e Innenwelt e que tem motivado muitos estudos em etologia cognitiva (ALLEN; BEKOFF, 1997, p. 141). Em particular, por oposição a Innenwelt, ou ‘mundo-interno’, o termo Umwelt, ou ‘mundo-próprio’, descreve a estrutura cognitiva da experiência de diferentes organismos desde escalas inferiores (água-viva) a escalas superiores (ser humano). Procuro mostrar, com efeito, que a noção de ‘mundo-próprio’ descreve objetivamente na organização cognitiva animal o que Nagel considera ser a característica subjetiva e inescrutável da própria experiência.