Psicodélicos e plasticidade cerebral no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático
A. Silva, Érika Barros Teixeira da Cruz, Samuel Cândido Freres, David Filipe de Santana, Luiza Timm Kohlhase Marçal, Rafael Leituga de Carvalho Cavalcante, Marcus Vinícius de Souza Brodbeck, Vitor Gabriel Lemos Teran Luna, Ana Alice Reis Kanawa, Gabriel Caetano Diniz, Claudia Cleto Pavan
Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences August 14, 2025 DOI: 10.36557/2674-8169.2025v7n8p522-534 (opens in new tab)
Study at a glance
AI-extracted from the abstract| Characteristics | Narrative review Peer reviewed |
|---|---|
| Key findings | Psychedelics, particularly MDMA and psilocybin, when combined with psychotherapy, may reduce PTSD symptom intensity and improve global functioning by promoting neuroplasticity and emotional reprocessing. |
Abstract
O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é uma condição psiquiátrica caracterizada por sintomas persistentes após vivência de eventos traumáticos, incluindo revivescências, hipervigilância e esquiva. Estudos recentes têm apontado o uso de psicodélicos, como MDMA e psilocibina, como potenciais coadjuvantes no tratamento, devido à sua capacidade de promover neuroplasticidade e facilitar a reconsolidação de memórias traumáticas. Evidências provenientes de pesquisas publicadas na Nature Medicine e diretrizes experimentais da Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies (MAPS) sugerem que tais substâncias, quando associadas à psicoterapia, podem reduzir a intensidade dos sintomas e melhorar a funcionalidade global. O presente estudo tem como objetivo analisar as evidências mais recentes sobre o papel dos psicodélicos na modulação da plasticidade cerebral aplicada ao manejo do TEPT, discutindo eficácia e segurança com base em literatura científica reconhecida. A metodologia utilizada envolveu uma revisão narrativa em bases como PubMed e SciELO, selecionando artigos publicados entre 2010 e 2025, priorizando ensaios clínicos, revisões sistemáticas e consensos de especialistas da psiquiatria. Os resultados indicam que psicodélicos modulam receptores serotoninérgicos, especialmente 5-HT2A, favorecendo a conectividade neural e a reorganização de circuitos ligados à memória e emoção. O MDMA, por exemplo, reduz a resposta da amígdala e aumenta a sensação de segurança durante a psicoterapia, permitindo ao paciente reprocessar lembranças traumáticas. A psilocibina, por sua vez, demonstra potencial para flexibilizar padrões de pensamento rígidos, favorecendo ressignificação emocional. No entanto, a segurança exige protocolos rígidos, triagem criteriosa e acompanhamento por profissionais treinados, devido a possíveis efeitos adversos como ansiedade aguda e instabilidade cardiovascular. Conclui-se que psicodélicos, quando utilizados de forma controlada e integrada à psicoterapia, representam uma via promissora no tratamento do TEPT, oferecendo benefícios relacionados à neuroplasticidade e ao processamento emocional. Contudo, a adoção clínica depende de regulamentação, formação profissional e estudos adicionais para confirmação de eficácia a longo prazo.