SACRALIZAÇÃO DA NATUREZA E O USO RELIGIOSO DA AYAHUASCA: PERCEPÇÃO E ÉTICA AMBIENTAL DA FLORESTA AMAZÔNICA AOS CENTROS URBANOS
Julien Marius Reis Thévenin, Talita Benaion Bezerra Thevenin, Carlos Teodoro José Hugueney Irigaray
ACTA Geográfica September 8, 2021 DOI: 10.18227/2177-4307.acta.v15i38.5444 (opens in new tab)
Study at a glance
AI-extracted from the abstract| Characteristics | Qualitative study Peer reviewed |
|---|---|
| Population | Members of three Daimista centers, one Barquinha center, and twenty-seven local branches of União do Vegetal in Rondônia, Brazil |
| Topics | Ayahuasca |
| Citations | 2 |
| Key findings | Recognizing the sacred in nature is associated with increased environmental awareness and ethical behavior, but institutional arrangements are crucial for sustainable practices. |
Abstract
A relação que os grupos sociais estabelecem com a natureza está permeada pelos sistemas de representações e ideias, principalmente, os religiosos e filosóficos. Contudo, a trajetória percorrida pela sociedade urbano-industrial, baseada no lucro, tem conduzido a sérios problemas ambientais, dentre eles o desflorestamento da Amazônia. É na busca por relações que atribuam valores não econômicos à natureza que se inicia este artigo, que analisa a relação entre a percepção do sagrado na natureza e uma ética ambiental associada a comportamentos pró-ecológicos. A pesquisa foi desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico-documental, observações diretas, anotações e entrevistas semiestruturadas dirigida aos integrantes de três centros Daimistas, de um centro da Barquinha, e de vinte sete sedes locais da União do Vegetal, religiões que fazem o uso ritual do chá da Ayahuasca no Estado de Rondônia/Brasil. Os resultados mostraram que, na medida em que o indivíduo, de forma espontânea, reconhece o sagrado na natureza, amplia paralelamente e gradualmente a sua consciência ambiental e a sua postura ética perante o meio ambiente. Contudo, nas religiões analisadas, essas atitudes não dependem unicamente dos adeptos que chegam, já que alguns desses não demonstram ter um comportamento ecológico, mas, principalmente, de diversos arranjos institucionais estabelecidos que direcionam as práticas dos mesmos na gestão sustentável de seus territórios.